terça-feira, 9 de outubro de 2018

Casal é preso suspeito de matar 20 mulheres e vender partes dos corpos

Um casal foi preso no México transportando corpos humanos em um carrinho de bebê é suspeito de matar ao menos dez mulheres e de vender pedaços das vítimas. "São fatos inéditos, nunca havíamos nos deparado com tal coisa antes", disse o promotor do Estado do México Alejando Gómez Sánchez, que classificou os casos como "feminicídios em série", uma vez que as investigações indicam que a maioria das vítimas era de mulheres. Foram encontradas quatro bolsas de plástico com restos humanos no apartamento do casal, identificado como Juan Carlos e Patricia, em um terreno baldio e em outra propriedade próxima.
Para os investigadores, a dupla também guardava corpos das vítimas em cubos cheios de cimento, em baldes e em um frigobar e os vendia. Ainda não está claro quem os comprava. Depois de ter sido detido na quinta-feira, Juan Carlos confessou ter matado 20 mulheres no município de Ecatepec, na região metropolitana da Cidade do México. Os feminicídios são comuns no México, mas muitas vezes acabam impunes. A confissão do casal deixou o país indignado e motivou protestos nas ruas de Ecatepec. Os vizinhos afirmaram que toda vez que viam Juan Carlos e Patricia eles estavam empurrando um carrinho de bebê, o mesmo em que a polícia encontrou as partes dos corpos das vítimas. A polícia prendeu os dois depois do desaparecimento, em setembro, de Nancy Huitron, 28, e de sua filha, de apenas dois meses de idade, Valentina. Juan Carlos confessou ter assassinado Huitron. Também revelou o nome de outras duas vítimas: Arlet Olguín, 23, e Evelyn Rojas, 29. Os investigadores disseram que Juan Carlos contou ter abusado sexualmente de algumas mulheres antes de matá-las. Também confessou ter vendido os pertences das vítimas e partes do corpo delas. Nancy, Arlet e Evelyn eram mães solteiras e haviam desaparecido nos últimos meses. A polícia chegou até o casal ao investigar o sumiço de Nancy Huitron. Como ela não buscou as duas filhas mais velhas na escola, um vizinho avisou a polícia. A bebê havia, segundo os investigadores, sido vendida pelo casal. Agora Valentina está sob os cuidados da avó.

IMPUNIDADE

Para a polícia, as vítimas conheciam Juan Carlos e Patrícia, porque compravam deles roupa e comida. Patricia costumava atrair as pessoas com a desculpa de mostrar alguns produtos. Quando foram presos, os dois pediram para tomar um banho e trocar de roupa antes de serem apresentados à imprensa - eles disseram que não eram "um casal sujo". Também não demonstraram nenhum tipo de remorso. "Eles não mostram sinais de culpa pelo que fizeram, mostram felicidade", disse o promotor Gómez. O estado do México é a região com o maior número de mulheres desaparecidas no país. Entre janeiro e abril deste ano, 395 pessoas desapareceram naquele estado, das quais 207 eram mulheres. Os desaparecimentos concentram-se principalmente em áreas violentas, controladas geralmente por gangues.